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Nenhum Homem É Uma Ilha - John Donne e a Poética da Agudeza

Este livro trata da poesia de John Donne (1572-1631), reconhecido como o maior expoente da chamada “poesia metafísica” inglesa, cuja característica é o uso sutil da metáfora aguda em conceitos engenhosos que provocam efeitos brilhantes, surpreendendo o leitor. O rótulo de “poesia metafísica”, proveniente do século XVIII, alude ao intelectualismo desses conceitos, que os torna agudos, herméticos e, por vezes, obscuros. Esse estilo de composição, criticado pelos adeptos da clareza linear da escrita, passou a ser revalorizado apenas a partir do século XX por T. S. Eliot e outros autores modernos.

Contemporâneo de Shakespeare, Cervantes e Góngora, Donne foi aclamado em sua época como rei de uma “Monarquia do wit”, termo que, nos séculos XVI e XVII, definia a capacidade do engenho de gerar agudezas e noções perspicazes, virtude estimada e cultivada na esfera política e social dos reinos cristãos. A partir de excelentes análises de poemas de Donne e alguns de seus pares, esta obra mostra que o wit, ao qual geralmente se atribui um caráter nacional e temporal inglês, é uma subespécie de um conjunto maior de técnicas preceituadas por uma instituição poética e retórica compartilhada por Montaigne, Camões, Tasso, Quevedo e outros. Isso significa, portanto, que, apesar de ilha, a Inglaterra do século XVII – aberta a trocas culturais com outras nações e outros tempos históricos e artísticos – não estava culturalmente insulada, e seus poetas buscavam superar seus modelos antigos e também a nova poesia contemporânea que se produzia em outras línguas vernáculas do outro lado da Mancha.

 

Editora: FAP-Unifesp

Autora: Lavinia Silvares 

Áreas de interesse: Literatura e Crítica Literária 

Páginas: 296 

 
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