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Linguística e Marxismo - Condições de emergência para uma teoria do discurso francesa no Brasil

Este livro retoma o trabalho de Carlos Henrique Escobar, autor que, nas décadas de 1960 e 1970, traduziu, discutiu e difundiu estudos franceses que articulavam marxismo com Linguística e apontavam as relações entre discursos, sujeitos e ideologias. Dialogando com os trabalhos de Althusser e Pêcheux e apontando lacunas e reinterpretações da obra de Saussure – décadas antes dos consagrados estudos de Simon Bouquet –, Escobar propunha uma Ciência dos Discursos Ideológicos assentada em Marx, Saussure e Freud, considerando a língua como um produto histórico-ideológico e o discurso como materialização da ideologia. Esse primórdio da Análise do Discurso no Brasil com base marxista, porém, foi interrompido pela força da repressão ditatorial. O projeto teórico e político que se construía foi colocado à força em suspenso, e Escobar experimentou o afastamento, a prisão e o exílio.

Ao tirar do esquecimento as contribuições desse grande estudioso brasileiro da linguagem, João Kogawa mostra como foi danoso o silenciamento de uma reflexão de base marxista sobre o discurso – imposto não apenas pelos antimarxistas, mas também por determinados grupos de esquerda que se reputavam guardiões de uma suposta ortodoxia. A grande contribuição deste livro reside, portanto, em reconhecer que, embora a Análise do Discurso seja essencialmente um aparato técnico que se desenvolveu e se institucionalizou nos anos 1980 no Brasil, foi em meio a lutas, situações de pobreza e exclusão intelectual, perseguições, torturas e violência nas prisões que seus fundamentos foram inicialmente levantados.

 

Autor: João Kogawa 

Editora: Fap-Unifesp

Área de interesse: Linguística

Páginas: 296

 
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