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Fanny e Margot, Libertinas - O aprendizado do corpo e do mundo em dois romances eróticos setecentistas

Dois livros publicados quase simultaneamente e de enorme êxito perante o crescente público leitor do século XVIII; duas protagonistas, de origem humilde, que contam suas próprias histórias e relatam como, tendo entrado para o mundo da prostituição e da libertinagem, conseguem chegar a uma vida de conforto material; dois autores acusados de obscenidade que tiveram de prestar contas a autoridades policiais. Essas são algumas das semelhanças entre Memoirs of a Woman of Pleasure (1748-1749), de John Cleland, e Margot la ravaudeuse (1750), de Fougeret de Monbron, romances que instigaram esta análise comparada de Mariana Teixeira Marques.

A autora conduz o leitor pelas veredas da produção da literatura erótica na Inglaterra e na França setecentistas, narrativas que circularam com bastante vigor, mas que apenas a partir de meados do século XX passaram a ser vislumbradas pela crítica. Além disso, esta obra aprecia um aspecto crucial para a compreensão da literatura europeia da época: trata-se das trocas, dos cruzamentos, das apropriações e influências culturais entre os dois países em questão, o que favorece a compreensão dos pontos de contato entre ambas as tradições literárias. Ao mesmo tempo, cada uma das narrativas tem sua origem num universo socioeconômico e cultural particular, dentro da perspectiva iluminista, cujas especificidades também são contempladas pela autora. 

A ficção libertina é uma das múltiplas conexões entre as literaturas da França e da Inglaterra e, nesse sentido, pode servir de convite a aspectos da experiência cultural europeia nem sempre alumiados pela crítica literária tradicional.

 

Editora: FAP-Unifesp

Autora: Mariana Teixeira Marques

Áreas de interesse: Literatura e crítica literária

Páginas: 280

 
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